Tuesday, December 15, 2009

Poema de Natal 2009, Silas Correa Leite





Havia Um Caminho de Voltar Para Casa


Ah querida, pode acreditar...
Havia um caminho de voltar para casa
O pai estava vivo com seu acordeon vermelho
A mãe fazendo sopa de fubá com couve rasgada
Éramos uma família pobre mas ninguém estava morto
Ruas, quintais; Itararé emperiquitada no favo da memória atiçada

Tanto tempo se passou e nos mudamos de nós, querida
A névoa ainda vem com suas sombras em preto e branco
Olho pra você e já nem me reconheço mais em mim
Se éramos esperanças ou se tudo se acabou como um pesadelo
E os que restaram têm lágrimas entre sonhos dourados
Porque é Natal e muita coisa não mais faz sentido para todos nós

Ah querida, pode acreditar
Havia um caminho de voltar para casa
Itararé era tão pertinho, quase um crepúsculo íntimo
Mas nos perdemos e agora choramos pitangas
Porque sabemos que tudo acabou como uma noite
Que se vestisse de bruma para nos fazer recordar as tristices

O que vamos fazer de nós agora que descobrimos
Que o Natal tem um presépio de pobre e não há esperança?
Tanto tempo se passou e o que restou de nós depois de tudo
Senão esse sentido de ausência e um presente que já não há
Quando eu me sinto o próprio burrinho do presépio
E a única estrela que vejo é a dos olhos saudosos chorando?

-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras
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Tuesday, December 01, 2009

A Única Oração Que Eu Conheço, Silas Correa Leite

A Única Oração Que Eu Conheço

(Conto da Série: Memórias da Resistência – 31.03.64/31.03.04)



“Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus(..) Eles eram pessoas e tinham nomes, ros tos, desejos e esperanças, e a dor do último não era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar...”
(Júlio Fuchik, 1980, in, Brasil Debates, Testamento Sobre a Forca)
Sempre fui ateu. Não posso acreditar na hipótese de que, quem fez, fez para destruir depois. Sempre fui um emérito comunista de carteirinha e filosofia. Um marxista teórico, comunista científico e socialista-democrático, em defesa de um sentido ético-plural-comunitário, para a vida em sociedade, com um humanismo de resultados.
Sempre achei que a religião é o ópio do povo. Uma burrice pegajenta no refluxo do inconsciente coletivo. Uma antiga invenção política para pôr freios na falsa moral burguesa, que nunca foi exemplar nas suas alcovas e bastidores do poder real. Acho até que a religião teria sido inventada pelo próprio diabo, se é que ele também existe, sentado no rabo da histórica hipocrisia social. Se todo homem é um animal político, como disse o filósofo Sócrates faz mais de dois mil anos atrás, todo homem é também um animal antes de tudo sexual e por isso mesmo pervertido, insano e cruel. Comida, sexo e poder. Esse é o destino do homem que, como todas as coisas, nasce, cresce, tripudia sobre cadáveres e serventias de sobrevivência amoral e decadente, fica tolo, senil, esclerosado e morre. Não há nada depois da morte. Viemos do nada e ao nada voltaremos. Somos esse vazio existencial entre o antes de o depois de. Sempre pensei assim. Do pó viemos e ao pó voltaremos, parece ser a única coisa certa escrita na Bíblia. Lama humana.
Mas resolvi de, assim mesmo, contar o que se passou comigo em tempos ordinários, difíceis. Tempos tenebrosos como diria Brecht.
Vivíamos o período tenebroso das trevas de uma ditadura militar incompetente, corrupta, violenta e senil. A Canalha de 64, cantada como Redentora, e seu capitalhordismo americanalhado, bancado por setores conservadores da ala reacionária da Igreja Católica arcaica, mais as peruas frígidas de Santana, sórdidos empresários amigos do alheio, e um projeto babaquara denominado hipocritamente de Tradição, Família e Sociedade, mas na verdade bancado por ratos olivas com coturnos, todos com medo do socialismo moreno-tropical do Comandante Fidel Castro que poderia se alastrar por toda a Latrina América terceiro-mundista, em detrimento de suspeitos interesses de agiotas do capital estrangeiro sediados no Esgoto Washington.
Eu, como muitos camaradas de um aparelho pego em flagrante, delatados por uns porcos empresários de grosso calibre, estávamos presos no DOPS, os chamados podres porões da hedionda polícia paulistana liderada pelo nefasto Delegado Fleury e seus chacais de antro de escorpiões que depois foi assassinado como queima de arquivo.
Eu tinha perdido bolsa na faculdade de Direito de Guarulhos (um bocó de professorzinho-major me fichara em desconfiança), também perdera emprego numa locadora de imóveis dias antes de ter sido promovido (o diretor era um janota coronel de reserva, líder do Lions Club e ex-diretor do Mackenzie), minha família foi vigiada, corríamos risco de passar fome, até que viram um artigo meu com Codinome Comando Alfa, denominado “A Corrupção Financia a Revolução” e assim eu fui levado de camburão como um bandido, seqüestrado por um bando de recos com fuça de hienas, para medo de meus amigos, familiares e inteligentíssimos colegas de esquerda.
O país agonizava, era uma eterna noite com um falso verniz de arapongagem e montados milagres econômicos que tinham um alto custo social, como depois se revelara a partir de um montado medo do Jango e outras tramóias de imbecis de terno, gravata, toga e farda, os reacionários de aluguel fundando novos covis de salteadores.
Fichados, éramos interrogados, cobravam nomes, documentos, atentados, datas, aparelhos, panfletagens, e muita gente morreu nessa época, incrivelmente muito mais do que se sabe, se identificou, inclusive por uma ala internacional da ONG Tortura Nunca Mais baseada na Europa, mais ainda vigente nesses novos tempos de tenebroso neoliberalismo-globalizado e uma terceirização neoescravista com privatizações-roubos e reformas que dão flanco ao contrabando informal, e também permitem aos narcotraficantes substituírem um estado propositalmente falido pela elite na sua essência básica de prover os excluídos sociais.
Diariamente vinha uma trinca de recos levar ou outro colega comuna de cela. Que era torturado de todas as maneiras. Se resistisse, voltaria a passar por outra sessão severa, de pau-de-arara a sodomia, de pancadaria e loucuras indescritíveis. Nem que eu tivesse um milhão de anos, eu esqueceria esses horrores. Muitos morriam no interrogatório. Então montavam fugas, falsos suicídios como o de Vlado Herzog, atentados, máscaras e camuflos para jogar areia na dura verdade, atirar fumaça nos crimes cometidos pela aparelhagem do estado militarista historicamente incompetente, sempre ao lado de latifundiários, estrangeiros, banqueiros, e uma burguesia decadente, amoral e insensível com as riquezas injustas, os lucros impunes e as propridades-roubos.
Sou uma testemunha da história. De certa forma sobrevivi, na medida do possível, mesmo para assistir um ex-marxista, ex-socialista, ex-sociólogo, e até ex-ateu, prostituir o Brazyl S/A com seu apoio a banqueiros irracionais, aumentando a eterna dívida externa, saqueando as empresas estatais e vendidas a preço de banana e moedas podres. E os piores comunistas são os falsos, de ocasião, que se abancam em cargos públicos por interesses mesquinhos, ególatras como melancias, vermelhos por dentro mas verdes por fora.
E como testemunha é que me cabe aqui relatar sobre a única oração que eu aprendi preso, em estado desesperador.
Detido no DOPS, via chegar e sair os suspeitos de sempre, via entrar e sair um torturado vencido pelo horror, via um bando de vaquinhas de presépio levando cadáveres para desovas em cemitérios clandestinos fomentados por um político do estilo rouba e diz que faz, eminência parda à sombra dos três podres poderes.
Era o regime de exceção. Era o arbítrio. Eu mesmo senti na pele a dor crucial dessa época. Uma determinação legal da ONU dizia que um povo podia se voltar armado até, contra uma ditadura, mas nós estávamos desarticulados e ali nos restávamos aguardando a morte, o exílio, ou as seqüelas que hoje eu sinto que são para sempre.
Pendurado num pau de arara, sem água, sem luz e sem pão, eu não podia dizer muito, primeiro porque era pela não-violência, segundo porque nunca tinha atentado contra ninguém, minha única arma era a palavra escrita e falada, porque eu era bom de dialética e sabia ocupar meu espaço denunciando, reclamando, pedindo por eleições diretas e o fim das insanidades palaciais. Se eu soubesse muita coisa, de qualquer maneira, confesso que jamais contaria, eu não era um alcagüete e sabia suportar pressões. Mas apanhei muito. Várias vezes. Quase morri. As sombras por testemunhas.
Lembro-me, no entanto que, por aqueles labirintos amorais e desumanos, perambulava sempre como um peregrino cândido e terno que, certamente corrompia financeiramente as altas patentes todas (que eram mesmo facilmente corrompíveis) e ali nos vinha dar sua palavra de conforto, seu apoio moral, seu largo ombro amigo, na sua tez de seda alva como a neve.
Esse anjo em forma de gente, era o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.
Volta e meia nós o víamos saindo de uma cela, tentando cobrar autoridades do arco da velha, entre paisanos e militares babaquaras, e muitas vezes ele esteve comigo em meu solitário catre sujo de sangue seco, suor, lágrimas e desespero.
Nunca gostei de orações, não acredito nelas. O homem e as circunstâncias, é o que vale. Nunca gostei do Pai-Nosso hebraico, muito menos da oração inventada pela Igreja das trevas em tempos profanos de cruzadas que matavam pessoas inteligentes, geniais, com medo das reformas de Martinho Lutero e da invenção da imprensa que promovia cada vez mais a leitura da Bíblia sob diversas óticas e menos conduzidas por cabrestos abismais do Vaticano.
Quantas vezes ali, depois de apanhar bastante, machucado, sangrando, a pão e água, eu acordava sofrendo e entre gemidos, e via ao meu lado o Cardeal de São Paulo. Ela me pensava como podia no rigor do momento, no apurado do trauma, com sua voz fina e meiga dizia, sempre; com a sua branquela mão direita no meu ombro esquerdo:
- Seja forte, meu filho. Procure suportar, meu irmão. Sê firme, amigo.
E eu o olhava ali, enorme, grandioso, sem nada que pudesse nos ligar, um padre e um comunista, a borboleta e o escorpião, e o ouvia me dar forças, me encorajar, para que eu fosse forte, quando eu queria mesmo era morrer logo, pegar de minha cinta e me dependurar num cano alto, morrer enforcado e acabar com aquilo tudo.
Para muitos ele foi um bálsamo. Para mim também. Para muitos ele foi a salvação, a âncora entre o inferno e o sonho. Para tantos ele foi o passaporte da agonia para a esperança. Um Ser Humano e tanto. Insubstituível. Nunca haverá outro como ele. É na dor, na tragédia, no desespero, no medo e na fome, que se conhece o caráter e o referencial de um homem.
Confesso que nunca aprendi rezar, sinceramente não acredito muito nisso.
No entanto, cresci, fiquei forte, escapei, virei escritor, fui sovado pela dura lida, e, claro, como ser humano tenho medo, muito medo; tenho presságios, uma angústia-vívere, um ou outro surto psicótico, neuras, e o espírito às vezes atribulado, mais o risco do desemprego, o salário baixo, a falência da educação pública, e assim desenvolvi um medo do escuro, uma intuição de lobo acuado, um instinto tribal.
No entanto, nessas horas, vem-me à mente a imagem daquele homem santo ajoelhado ao meu lado, um ateu sonhando com utopias, e ele, Dom Paulo Evaristo Arns, é a oração em pessoa. O sentido de uma prece na sua mais altaneira definição.
Então alguma coisa em mim, meu espírito aventureiro, talvez, uma certa resiliência psicológica até, talvez uma porta para a luz, fala de mim para mim mesmo, a única oração que eu conheço, que eu aprendi na dor: Seja forte, Seja firme. E eu sinto um calor descomunal me passar pela espinha. Como se uma pilha-luz ligada no aparelho da memória recorrente, um arquivo neural que se assoma e me reconforta, me estimula, me incendeia. Um elo de fé?
E, confesso, não há melhor oração do que a imagem e semelhança de um homem digno, puro.
Perdoem, mas essa foi a única oração que eu aprendi. Essas simples poucas palavras cruas, me dão um sentido enorme de energização. Mas, somadas num imagético de um momento de terror, me dizem tudo, me sustentam, acho que até, intimamente, podem às vezes me ensinar técnicas de Vôos.
Se Deus existe mesmo, quando for a hora do juízo final, amargedom, sei lá o quê mais, e quando eu for pesado na balança, e me cobrarem alguma falta, direi em minha defesa que sei uma oração de peso, e certamente direi uma verdade inteira, expressando-a, recitando-a emocionado, com todo seu conteúdo de amor e luz, numa imagem esplendente.
Direi que, como Oração mesmo, inteira e plena, táctil, presencial, personalizada, conheço o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Independente de placa de igreja, ele foi um mito, um mensageiro, um visitador, um abençoado. E então, espero, os anjos de Deus, seus irmãos celestes, certamente me darão o passaporte da liberdade assistida num limbo qualquer, muito além desse pardieiro chamado Planeta Água, a Nave-Cela da escória cósmica.

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

Tuesday, November 17, 2009

Poema ao Poeta Silas Correa Leite, por Arine de Melo Jr




Ao poeta,

Silas Correa Leite:



Poema do Poeta



vida e morte,

um homem na rua.

sonho e realidade,

um homem no céu.

céu e morte,

inferno de um homem.

um poeta, a obscuridade,

além disso,

simbiose do meio,

meio alma, ouro,

meio ouro, nisso.

literomaníaco,

sem dilema, esforço,

formalidade ou gênero,

poeta primeiro...

alem disso,

nada, palavra sem veio.

poeta que é poeta,

vive, a serviço...





Arine de Mello Jr. 13/11/09

Thursday, October 15, 2009

TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS, Poemas Perigosos

Pequena Resenha Crítica


CHORUMES: Os Poemas “Anjos Afogados” de Marcelo Ariel


“Os seres humanos me assombram”

Markus Zusak

In, A Menina Que Roubava Livros




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Espantalhos: seres reses. A máquina de existir é a máquina de parir seres. Serão seres? Existem? “Existir a que será que se destina?”, perguntou cantando Caetano Veloso. O Poeta de Cubatão, Marcelo Ariel, sabe. Deve doer saber. E nos responde por tabelas ou diretamente nas fuças com horror de ver, viver e escreviver: anjos afogados. Anjos em fios de alta tensão. A morte-amor. Choro e ranger de dentros. Jean-Paul Sartre dizia que ninguém é escritor por haver decidido dizer certas coisas, mas por haver decidido dizê-las de determinado modo.

A chocante Poesia de Marcelo Ariel é uma fronteira cercada de destroços por todos os lados. Vidas-Socós. As duras realidades focadas na névoa-nada. A vida sobrevivencial lançando chamas na UTI do cáustico olhar plausível. A alma sangra entre o chão-diesel e os estilhaços poéticos multicortados de pontos de interrogachão. A cena do crime de existir. Escrever é um modo de estar no mundo, para repugnar-se contra o próprio mundo, e ainda assim sentenciá-lo ao assento de horror.

A poesia tirando enterros da alma em pedaços. O revólver quente da criação destrinchando verbos, versos, ver-se, ter-se, verter. Prismas-caças-e-caçadores. Poesia dolor. “Como o céu que dança pra si mesmo/Sem a nossa presença/E depois apaga” (In, Com Miles Davis na Serra, pg.48). Os desterros são íntimos. Os aterros sociais têm seus chorumes dolorosamente lírico-contestatórios por assim dizer. Feito um açougue metafísico de almas letrais.

Marcelo Ariel voa com remos. As desnaturezas do ranço humano/urbano/insano. A maldição daquele que respiga as sobras, restos de nadas: sub-seres. E ainda achando poemas aí. Meio Jean Genet Pretobrazyl, um pleno pliniomarcos mestiço nas trincheiras do caos que retrata em fotogramas de amarguras, pintando com lucidez palavral os seus achados e perdidos. Não é fácil. Nunca foi.

Um Goya-rimbaud. Os sem cérebro produzem monstros. Como ainda tirar poemas do inferno?. O lusco-fusco não sabe de lágrimas de muito além de Dante. O inferno são os seres. O céu rebrilhante de Cubatão é poluição pesada. A poesia toxina esplende um historial da morte poeticamente homeopática dos que foram soterrados. Em meio ao monturo Marcelo Ariel vaza poemas-lágrimas, poemas duros, tristes, contundentes, assustadoras lascas de seu meio. Filósofo e metafísico. Que ciência há em não pensar sobre? Entre carcaças de todos os tipos e naipes, os poemas-letra-de-rock pesado em valas perdidas. Chorumes-rajadas. Metralhando palavras que se encorpam em peso-visão, brutezas pegajentas. Falou o diabo e aparece o anti-clímax. A vida só é possível reinventada, disse Cecilia Meireles.

Poemas sentidos. Há sangue pra tudo. Serão só poemas? Testemunhos-depojos. Não, são também luzes negras sobre macadames de lixões. “A morte não dorme/A alma não pensa/A vida não vive” (In, Veredito, pg 93). Marcelo Ariel é isso: esquisito porque puramente real por mais que isso nos doa. O asco é mais embaixo. Só os imbecis são felizes. Não há sensações no esquecimento. Ai de ti Cubatão-Brazyl! Ensaios de amargedons localizados, datados. Estúdios a céu aberto entre viadutos, chaminés, mangues e resíduos fichados. Entre ratos, abutres, quasehumanos. A sifilização-réstia. O olhar transido é ainda recolhedor sistêmico. Ponches de restos. Sangria desatando subvidas. Os excluídos sociais, os carentes, os sacrificados, as amarguras de. Tudo do mesmo. Paradoxos inexatos que sucumbem entre mesmices impunes. O teatro de absurdos da vida real no seu pior estertor. “Na noite/Se convertendo em transparência sem tempo” (In, Espelho, pg.137). Marcelo Ariel não é fácil também. Somos literalmente atravessados por seus versos de arames em tintas entrecortadas dele mesmo no seu estilo todo próprio de repaginar o que vê/sente/comporta/assoma/redime... liquidifica. Assustador.

Marcelo Ariel é um soco de luz no LER. Ler o livro de Poemas “Tratado de Anjos Afogados” é um sopro na acomodação saturada. Poesia puro sangue. Os perdidos nas estrofes sujas da mais descarnada vida são literalmente revivificados. Escrevendo ele tira fantasmas da névoa e diz da dor de havê-los. Dói sentir a dor dos outros. Não há como sarar o mundo; já não é possível curar o mundo. Parafraseando Baudelaire, sob o crânio da raça humana o horror não faz milagres. Os miseráveis precisam de poetas para retratá-los, serem assim disformes registrados em suas condições de subvida, como seres ocasionalmente sobrevivenciais que acabam sendo, entre os chorumes dos condomínios fechados e os tantos insensíveis podres poderes. As cinzas das desonras.

Falando sério, cara pálida, é muito difícil resenhar um livro como o Tratado dos Anjos Afogados de Marcelo Ariel. Você procura palavras exatas e não acha, não cabem, querem refugar o sentir, o pensar, o se achar num igual. Não há metáforas que caibam como identificações em poemas de tal grandeza cívica até. Nem são almas penduradas nos varais para secarem os ossos, mesmo que pareçam. Com tanta “informação” (poesia tensão) você fica irado com a carga poética que recebe, apreende, engole a seco; feito um ocasional renunciante à vida. Vida? Como não fazer parte daquilo e se aceitar humano? Que vida? O que é isso? Seres? Que seres? Chorumes.

Poemas como incompreendidas nênias entoando impressões digitais de mortos. A carne-vida nos poemas insepultos. Dentro das covas clandestinas desses céus e infernos não há GPS. Que cadáver-vitrine é a raça humana, a civilização por si mesma? Marcelo Ariel arranca poemas de feridas. Leia-o. Isso é que é Poesia. Venha para o mundo de Marcelo Ariel. Mas se apronte que vai doer um bocado. No entanto, você também precisa se enxergar no charco, ver a própria lama social entre cacos de espelhos.

Subterrâneos de confins. Marcelo Ariel escreve poemas como quem recupera, com sua placa mãe de captura em alta sensibilidade, os suspiros dos sentenciados a sobreviver; como ainda um pior castigo-condenação do que ter que existir.

Existir?

-0-

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.campodetrigocomcorvos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Giz Editorial, 2009, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus



BOX:

Livro: TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS – Gênero Poesia
Autor: Marcelo Ariel – Literatura Brasileira Contemporânea
marceloahriel@yahoo.com.br – Coleção Sentimento do Mundo
Edição 2008, 216 páginas


Editora: LetraSelvagem – Associação Cultural LetraSelvagem
Organização Nicodemos Sena
E-mail: letraselvagem@uol.com.br
Site: www.letraselvagem.com.br

Friday, September 04, 2009

Cure o Mundo, Michael Jackson





MICHAEL JACKSON:CURE O MUNDO

Heal The World (Cure o Mundo)
Michael Jackson
Composição: Michael Jackson


"Pense nas gerações e elas dizem: Nós queremos fazer deste um lugar
melhor para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos. Para que
eles saibam que este é um mundo melhor para eles; e pensem que
podem fazer deste um lugar melhor."

Há um lugar em seu coração
E eu sei que ele é o amor
E nesse lugar pode ser
O mais brilhante amanhã
E se você realmente tentar
Você irá descobrir que não precisa chorar
Nesse lugar você irá sentir que não há mágoa ou tristeza

Há caminhos para chegar lá
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Se você quer saber por que
Existe um amor que não pode mentir
O amor é forte
E só cuida das dádivas alegres
Se nós tentarmos, nós veremos
Nesta felicidade nós não sentimos
Medo ou receio
Paramos o existir e começamos a viver

Então sentimos que sempre
Bastante amor nos faz crescer
Então faça um mundo melhor
Faça um mundo melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

E o sonho que nós concebemos
Revelará um rosto alegre
E o mundo que uma vez nós acreditamos
Irá brilhar de novo em graça
Então por que nós sufocamos a vida ?
Ferimos esta Terra, crucificamos sua alma
Mas é claro ver...
Que este mundo é divino
É a luz de Deus

Nós podemos voar tão alto
Nunca deixar nossas almas morrerem
Em meu coração eu sinto vocês todos meus irmãos
Crie um mundo sem medos
Juntos nós choraremos lágrimas de alegria
Veja as nações transformarem suas espadas em arados

Nós poderíamos realmente conseguir
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor para você e para mim

Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor para você e para mim

Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)

Thursday, August 20, 2009

Livro A MAGIA DO RÁDIO de Valdir Comegno




A MAGIA DO RÁDIO

Valdir Comegno

A Magia do Rádio, de Valdir Comegno, professor, historiador e estudioso de MPB, em formato 16,0 x 23,0 cm, em off-set, papel 75 g/m2, com 298 páginas de texto e ilustrações foi lançado pela Meireles Editorial em todo o Brasil na última semana do mês de junho de 2008. O livro focaliza todos os fatos e personalidades marcantes da história do rádio no Brasil, de sua implantação nos anos 20 até a década de 60 quando da difusão da televisão. Á história em foco começa com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada por Roquete Pinto e Henrique Morize, e que tinha por lema "trabalhar pela cultura dos que vivem em nossa terra. Nos anos 30 já tínhamos vinte e uma emissoras. O governo, então, regulamentou o funcionamento deste novo meio de comunicação, através do Decreto-lei no. 21.111, caracterizando sua finalidade educativa e a serviço dos interesses nacionais. Através do rádio, consagraram-se popularmente, nesta época, os nomes de Vicente Celestino, Araci Cortes, Francisco Alves, Sylvio Caldas, Orlando Silva, Sônia Carvalho, entre outros. Na década de 40, César Ladeira levava à loucura os ouvintes da Rádio Mayrink Veiga, ao anunciar o programa que comandava: A - e - i - o - uuuurrrcaaaa. Por sua vez, a Rádio Nacional recebia cerca de 30 mil cartas mensais de seus ouvintes. Através de programas de auditório, de radionovelas e de musicais, o rádio atingia o seu apogeu. Tornavam-se populares Carmen e Aurora Miranda, as irmãs Pagãs (Elvira e Resina), Almirante, Aracy de Almeida, Dick Farney, Odete Amaral e Renato Murce. E as revistas Carioca, Pranove, Vida Doméstica e O Cruzeiro aumentavam sua circulação com a biografia de cantores, locutores e radioatores em evidência. A década de 50 iniciou com o povo cantando Bota o Retrato do Velho, de Haroldo Lobo e Marino Pinto, uma sátira a Getúlio Vargas que retomava o poder. César de Alencar alegrava as tardes de sábado com seu famoso programa na Rádio Nacional onde Emilinha Borba era a “estrela maior”. Foram os anos dourados de Dalva de Oliveira que ''estourou” nas paradas de sucesso com “Que será”, “Tudo Acabado” e “Errei Sim”. Nora Ney também fazia sucesso no estilo "dor de cotovelo" que criou, cantando “Ninguém me Ama” e “Menino Grande”. Foi a época em que se destacaram estrelas como Linda e Dircinha Batista, Doris Monteiro, Angela Maria, Cauby Peixoto, Francisco Carlos e Ademilde Fonseca. A magia do rádio chegou ao fim nos anos 60, com a rígida censura imposta pelo Regime Militar, culminando com a intervenção na Rádio Nacional e com o fechamento da Rádio Mayrink Veiga. O livro “A Magia do Rádio” aguarda você, leitor sensível e nostálgico, relembrando os acontecimentos e nomes - com sua biografia básica -, relacionados à empolgante trajetória da radiodifusão no Brasil.

NOTAS SOBRE O AUTOR DO LIVRO "A MAGIA DO RADIO"

VALDIR COMEGNO é natural de Bauru, São Paulo, onde concluiu o curso de magistério no Colégio Guedes de Azevedo, em 1958.

Ainda em Bauru, como crítico de cinema, assinou por mais de dois anos a coluna A Outra Cara de Hollywood, no jornal Correio da Noroeste.
Professor secundário, formou-se como Geógrafo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Diplomou-se na Faculdade de Ciências e Letras Teresa Martin, na cidade de São Paulo, habilitando-se em Estudos Sociais, História, Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política.
Ministrou aulas em diversas escolas da capital paulista, aposentando-se na Escola Estadual Caetano de Campos, na Praça Roosevelt.
Autor teatral, foi vencedor do 1° Festival Estudantil de Teatro, Região de Vila Prudente, São Paulo, com a peça Planeta Terra: Ano 2274.
Estudioso e pesquisador de música brasileira, possui coleção de aproximadamente 15 mil registros fonográficos, com inúmeras raridades.
Como historiador, “A Magia do Rádio” é seu primeiro livro.
Valdir reside em São Paulo e seu e-mail é valdircomegno@hotmail.com

Ser de Itararé - 33 Razões do Álcool da Velha




Ser da Estância Boêmia de Itararé, é!
33 Motivos Para ser Fanático por Itararé



01)-Achar Itararé a mais bela aldeia do mundo, mesmo eventualmente não conhecendo direito o mundo, até porque, se Jesus Cristo tivesse nascido em Itararé, os três Reis Magos seriam o Jorge Chuéri, o Gustavo Jansson e o Walter Santana Menk

02)-Ser um “fanático por Itararé” e adorar a Cidade-Poema acima e abaixo de todas as coisas reais e imaginárias, até porque, Itararé é a nossa Shangri-lá, nossa Pasárgada, nossa Jerusalém celeste aqui mesmo

03)-Ser boêmio, bom de prosa afiada, contador de palha, pescador e até, aqui e ali, inventor do inexistente, até porque Itarareense não mente, inventa verdades que ainda não aconteceram de acontecer

04)-Preferir ficar preso em Itararé do que livre e solto em qualquer outro lugar do Planeta Água, até porque, longe é um lugar que não existe, e assim mesmo lá não tem tubaína de limão-cravo do Vilela

05)-Adorar biritar entre amigos, principalmente falando mal da vida alheia e sondando mulher pedaçuda com seios de manga-sapatinho, mãos de pianista, pés de bailarina, olhos de jade e pensão alimentícia de três maroteiros beiçudos e com amarelão

06)-Torcer pro Clube Atlético Fronteira, o mais “glorioso, majestoso, poderoso” clube sócio-futebolístico da city.
07)-Ter algum dom natural, algum talento, pintar, escrever, jogar truco ou mesmo contar mentiras por atacado, até porque quem bebe a água da gruta da barreira sempre volta, o que não volta é a água que é urinada fora

08)-Ser de esquerda, sempre. Fazer oposição por graceza, contenteza. Se há governo, é contra, esquerdista por legítima defesa da honra, da ética e em busca de um humanismo de resultados

09)-Adora gandaias, forfés, micaretas, carnavais, quermesses, serenatas e, principalmente bordel e pescaria, principalmente se não levar marmita, isto é, se a patroa não for junto

10)-Sacar antes o lance, saber bem de tudo quanto é assunto, mostrar dialética e ser loquaz entre amigos e morféticos curiosos, e nunca andar com canhão, quero dizer, mulher feia, a não ser que esteja muito “bêudo” ou picego

11)-Defender Itararé a todo custo, haja o que houver, doa a quem doer, afinal, morrendo todo Itarareense será parte da terra Itararé, e, assim, é melhor cuidar bem da terrinha-nós-mesmos a partir do que seremos um dia no devir

12)-Itarareense é “Andorinha sem Breque”, dá nó em pingo de chuva, desvia de cobra-fantasma, e assovia bem, até porque, como dizia o saudoso Barbosinha tocando Luar de Itararé...música é vento

13)-Detesta amigos do alheio, desde corruptos e ladrões, não aceita gente de duas caras e mete a boca em tipo janota e boçal, muito menos gosta de ser palhaço de outro palhaço se olhando no espelho

14)-Conta palha de que Itararé foi feita no sexto dia de criação, por isso Deus teve que descansar no Sábado lá no Bar do Tepa, já que tinha caprichado e cansou-se, depois foi pro forfé e pegou gosto.

15)-Itarareense bebe porque é líquido. Se fosse sólido comeria. E bebe sim, vermes não comem pudins de cachaça

16)-Todo Itarareense é anarquista teórico, marxista técnico, boêmio pela própria natureza, fanático por Itararé e social-democrata com visão ético-plural-comunitária

17)-Todo Itarareense é pão duro ao extremo, cria escorpiões no bolso para não ter que atacar as algibeiras em caso de precisão de vida, morte ou desfrute de eventual biscataria self service

18)-Itarareense não morre. Vira purpurina. Não nasce, estréia na Terra.Não é aparecido, é criativo, e sabe fazer bonito, no amor e na dor. Mas vai em velório e gosta de aparecer mais do que o próprio finado

19)-Itarareense que não presta nasce morto. Ou vai nascer noutra freguesia do Paraná, logo depois da divisa do rio Itararé, lados de Sete Quedas, aliás, Oito quedas, se empurrar a sogra que não é boa bisca lá.

20)-Itarareense adora fazer caridade com o dinheiro dos outros, assim como adora comprar fiado de caderneta e perder a caderneta. Sabe ser útil e solidário na hora hagá, e não acredita em artes que não sejam libertações.

21)-Itarareense sabe que, sexo seguro é quando ele segura no seu próprio usucapião pra pinchar cervejadas fora, aliás, se cerveja se pagasse pelo que se urina, só se pagava o rótulo

22)-Itarareeense-andorinha na dúvida em gastar ou poupar toma mesmo é suco da sabesp com petisco de língua de sapo chulé

23)-O buraco da barreira é mais embaixo, andorinha grande é Taperá, quem não gosta de Itararé, boa bisca não é

24)-Itararé não tem enxerido em vizinha alheia, tem liberal esquizofrênico

25)-Itarareense não tem meio sexo. Os quase "moçoilas" vão todos estudar fora e querem diploma

26)-Itarareense não morre, estréia no céu, mas antes passa pelo Asilo Jesus Tá Chamando, depois entra no Morgue Vá Com Deus e, finalmente, deita a paquera no Cemitério Lágrimas do Céu

27)-Em Itararé, quem toma Coca Cola arrota pum, e sabe muito bem e com prazeirança que batatinha quando nasce vira fritas do Bar do Chico

28)-Todo artista Itarareense é aplaudido em pé na Praça Coronel Jordão, até porque, a bem da verdade, lá não tem banco pra todo mundo se sentar

29)-Em Itararé o vento sola saudades pegajenta do Maestro Gaya, do Fernando Milcores e das estrelas Irmãs Pagãs.

30)-O defeito do itarareense é ser pão duro, daqueles que dá tiau com o punho para não gastar vão de dedo, e nem tem muito jegue júnior na prole para não gastar zona de fricção

31)-Itararé tem Passarinho que anda de bicicleta e com chapéu de florzinha verde na gadelha, tem restaurante que fecha pra almoço e tem rio verde que não amadureceu ainda

32)-Itarareense quando viaja, leva foto de Itararé só pra matar saudades e tomar umas e outras em homenagem à sua santa terrinha. Aliás, o melhor lugar do mundo é aqui e agora, e todo Itarareense sabe muito bem que, “Esteve em Itararé e não lembrou de ninguém/Pois quem não está em Itararé está sem

33)-Itarareense pobre só come carne mesmo quando o feijão-rosinha tá bichado

-0-

Santa Itararé das Letras

Itarareense-andorinha, a dor e a delícia de ser o que é

Habemus República Etílico-Rural de Itararé - It(ar)(ar)é!

O Paulista de Itararé é mais paulista do que os outros paulistas

O céu azul é o mar de Itararé

Itararé, verás que um filho teu não foge a luta

Itararé, a história do Brasil passa por aqui

Morro pelo Brasil, mato por Itararé

Sou de Itararé, não desisto nunca

-0-

Poetinha Silas Corrêa Leite
Sampa, Saudades de Itararé, do Jazz nasce a luz
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Sunday, August 16, 2009

O Livro de Contos de Gregorio Bacic




Pequena Resenha Crítica:

O Livro de Contos “Olhares Plausíveis” de Gregório Bacic Revela Horrores Contemporâneos

“O pão que trago comigo/Não é pão/
É fogo/O vinho que trago comigo não
é vinho/É sangue/(...). E todos hão de
beber/Do fogo e do sangue”

Carlos Nejar, a Genealogia da Palavra

O belo livro de contos modernos, “Olhares Plausíveis”, de Gregório Bacic, Editora Ateliê Editorial, SP, 2009, é um verdadeiro conjunto de retratos da própria urbana modernidade aloprada, com enfoques irônicos como se literais pontos de fuga do horror consciente da miserabilidade social do ser humanus... Humanus? Nessa espécie de narrativas como se num labirinto denso – entre surpreendentes e epigramáticos contos infantis para adultos – aqui e ali algo edipiano, retrazendo uma infância a uma irônica ótica adultizada, Gregório surpreende pela mão pesada e feroz, mas consciente. Desconforto existencial contra a vala demoníaca da mesmice envenenada do mundo contemporâneo em crise?. Os contos são verdadeiros retratos da miserabilidade humana nesses nossos tempos tenebrosos.

Olhares plausíveis na ficção, portanto. Entre o imaginário contundente e o real inventado pra clivagens, os seres-refugos; para muito além dos refúgios historiais, um consciente escritor dizendo de inconformidades, incompletudes. E, ironicamente, provocações, despojos letrais. Na verdade, “gavnós” (merdas em russo), de todos os tempos e lugares sociais, tudo condensado no aqui e agora; liquidificador de convergências investigadas e situações de aceitações frívolas. Restolhos de luzes na ribalta de atos descontínuos.

O diferente é necessário, meio que berrando a alucinação humanista desses consumistas tempos efêmeros.

Os contos, naturalmente, como se sem querer mas literalmente interligados, têm arames e costuras entre si. Como se um pequeno confeito-mosaico de romance-novela. A cidade grande (qualquer lugar-cidade), metrópole embrutecida com seus parafusos soltos nos arranjos descomunais de insanidades sistêmicas, que dão vernizes novos a podres velhos. Estruturas sócio-afetivas sórdidas. Cada um, um sítio de si mesmo. Ilhado e perdido com poder aquisitivo e falta de crivo ético. Gregório Bacic entende do riscado e, ironicamente com todo o peso literário que lhe é peculiar, coloca dedos em feridas aparentemente saradas apenas na estética formal. Tudo igual para não acontecer mudanças dentro do nada humano ou sensível. Quase um circo cênico, em que o autor coloca as tripas pra fora com mão de ourives, meticuloso, cirúrgico, mordaz.

Textos testemunhais enlivradas após olhares altamente críticos. A face das condutas e contudências insanas.

“O mundo avançou para permanecer o mesmo”, escreve ele numa das orelhas que salta aos olhos. E o autor une joios perolizados e sombras de trigos imprestáveis. Destrincha situações de mesmices e permanências. As clivagens sociais que vão além das históricas dívidas impagas. O corte frio apontando pangarés, pequenos seres, seres fracotes, tudo muito denso no peso do olhar do autor. Somos todos iscas uns dos outros? O inferno são as iscas. O conto “Plausível” um verdadeiro achado (criado) é assutador até no que não diz, no implícito sem reticências. Não há sensíveis nas ruínas amorfas dos sentimentos neutros. É preciso dar nomes às fuligens plausíveis. O conto “Demônio Inerte” por si só daria uma cena instigante em texto de Bertold Brecht.

Ser feliz é falta de remorso ou só consciência cínica?

“Atas da ABREME”, um conto seguinte, é a figuração de um corte de caco de espelho sujo na alma das aparências; cada um, claro, com sua leitura subjetiva pondo ainda mais fermento na purgação. Até dói. O vinagre como a lágrima da alma destroçada na releitura. O conto “A Olho Nu”, com retratos das disparidades da própria loucura humana. Ninguém é normal de perto e os loucos são perigosos para o sistema das aparências. Para o escritor, é como se não houvesse culpas e nem culpados, ele não julga e nem distorce, narra o horrendo. Há fatos. Teatro letral em 13 atos-monó-(Logus).

A fúria da literatura destrinchando vulgaridades em lampejos, contando de mediocridades existenciais contemporâneas, vergonhosamente atuais. Fotogramas dessa época de uma desordem econômica globalizando neuras. A degradação da grande massa populacional. Os insensíveis entre os incuráveis. Sangrias de todo tipo, pestes diversas. Pior, talvez, que os miseráveis, os irrecuperáveis... os aceitadores de mordaças e cabrestos...

Descobrimos a nós mesmos nos escritos alheios? A mediocridade humana dando literatura de primeira grandeza, é o que se lê no livro de Contos “Olhares Plausíveis”, quando Gregório acerta a mão e pinça lances, quadros cênicos, desde a falta de denodo da condição humana, feito um jogo de cena dando voz aos incompreendidos, aos limitados, aos aceitadores de tudo (os insensíveis), ao próprio embuste sócio-existencial da grande maioria da população entre operários, executivos, crianças, famílias em seus tantos descaminhos, inclusive e principalmente sócio-afetivos. Como desconstruções de seres abomináveis.

Cineasta, Gregório Bacic que criou e dirige o programa Provocações da TV Cultura de São Paulo, sob a direção do polêmico Antonio Abujamra, tem seu estilo todo peculiar, límpido, e ainda assenta na veia: “Às coisas que percebi; que vivemos numa época em que as tecnologias e os conhecimentos especializados encurtam tempos e distâncias, em que o mundo e as coisas mudam rapidamente para que... nada mude”. Ferino e verdadeiro.

Quer mais? Só lendo o livro. Se a função do artista é dar retoques delatadores de seu tempo insano, testemunhar vicissitudes, desajustes neurais inclusive, Gregório Bacic aqui exemplifica a função da arte literária em alta qualidade. Depondo: a tecnologia em alta e o humanismo em baixa. Contundências. Pois é, tudo isso denota a própria contação diferenciada do autor. O ser humano perdeu a sua consciência de estar no mundo? Antonio Lobo Antunes disse: “Meu desespero estava na impossibilidade de me levantar e dizer “Não é isso!”.

Pois Gregório Bacic, já autor de “Peão Envenenado e Outras Provocações” (Escrituras Editora, 2002) com seus novíssimos e algo venenosos recolhes, detona uma crítica sociológica no que escreve com qualidade, como se com todas as letras reafirmasse Gay Talese “Há sempre uma parte da vida do escritor que é ser escritor. Não importa como viva(...) É a sensibilidade isolada do escritor, o estado de alerta, a separação – como escritor você se separa dos outros o tempo todo.”

As histórias que contamos passam a nossa consciência a limpo?.

“Olhares Plausíveis” tem esse enfoque especifico: olhar o que parece que ninguém vê; (mas existe, acontece, dói), sentir a dor do outro e de alguma maneira escrevê-la com consciência, mas, também e principalmente com e por isso mesmo deixar que o leitor sinta, julgue e pense a respeito de tudo que se enquadra como colagens de cenas do cotidiano, meio Amodóvar, meio Glauber, sempre ele mesmo.

Com se com essas aberrações sobrevivenciais desses nossos tempos, ao narrá-las, tentasse provocar a própria consciência humana do humanus. E mais não digo. Leiam o livro.

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.ports-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, CRÔNICAS Hilárias de um Poeta Boêmio, Giz Editorial, SP, no prelo.

BOX:
“Olhares Plausíveis”, Contos, Ateliê Editorial, SP, Edição 2009
Autor: Gregório Bacic
Site: www.atelie.com.br - E-mail: ateliê@atelie.com.br

Friday, July 31, 2009

Itararé das Revoluções, Poema de Silas Correa Leite





Itararé das Revoluções


Revoluções históricas do Brasil passaram por Itararé, cidade de divisa
E quiseram destruir Itararé; nosso rincão amado, nossa terra-mãe
Mas Itararé não pode nunca ser destruída. Sempre haverá Itararé
Cada andorinha-Itarareense será essa nossa Itararé alada, esse pavilhão
Por onde for
Com sua bandeira na alma, o DNA no coração e seu esplendente amor

Itararé, Trincheiras da Legalidade, nossa pitoresca aldeia bucólica
Uma tribo espiritual de sementes escolhidas, boêmios, trovadores
Canhões bombardearam Itararé – onde estão esses canhões agora?
Itararé permanece como constelação, garra, muito viço em seu louvor
Por onde for
Casa Itarareense será a prova desta Itararé e de seu imenso valor

Cantamos, fazemos música, somos festeiros. Santa Itararé das Artes
Nossas lágrimas são nossos rios; nossas esperanças somam-se aos sonhos
Nas searas construímos; nas batalhas somos os que não fogem a luta
Por onde for
Cada Itarareense com sua alma-nau de Itararé será dela um portador

Longe de Itararé é um lugar que não existe: Itararé é nosso espírito
De celebração a vida, à arte, e ressurgirmos porque brilhamos, e Itararé
Está onde estivermos, e onde nos encontrarmos e falarmos deste amor
Encantador
Uma eterna Itararé estará em nós como um encantário de luz e fulgor!


Silas Correa Leite, Fanático Por Itararé
Poema da Série “Eram os Deuses Itarareenses?”
E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Giz Editorial, SP, no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009

Monday, June 01, 2009

Romance A Invenção de Onira, de Sant´Ana Pereira





Pequena Resenha Critica

"Invenção de Onira", o Belo Romance de Sant´Ana Pereira

Por Silas Correa Leite *

"Sertão. O senhor sabe: sertão onde manda
quem é forte, com as astúcias..."

Guimarães Rosa, in Grande Sertão, Veredas



Um livro de peso, é a primeira impressão que fica após a leitura da obra "Invenção de Onira", de Sant´Ana Pereira (Ed. LetraSelvagem, 2009, Taubaté-SP), romance de 272 páginas. Denso, de tirar o fôlego: a busca de um Eldorado tropical em terra brasilis, aqui muito bem nominada Cabânia. Embarcações em aventuras ribeirinhas, com alusões a uma Arca de Noé, só que levando ricos e pobres, miseráveis e expropriados, loucos e leprosos (todos os "modelos" da espécie humana), para um paraíso aqui mesmo na terra; dentro de uma onírica visão de região que emana leite e mel (e pássaros, rios, relevos, encantamentos). O homem contra si mesmo, mais os interesses dos podres poderes por trás, com os silvícolas sem teto, sem terra, sem amor.
E os personagens principais conduzindo a obra. Vinagre (temperando o sonho?), Lavor (trabalhando a idéia-terra-lugar-espaço, lavorando-a), o virgem e casto Pilin, um cristão sonhador que fugiu da igreja para conhecer a vida real dos fracos e oprimidos, e Suzel, a guerrilheira das palavras e atos, mais a sedução pelo sonho, pelo amor, por um mundo melhor, feito uma Shangri-lá aqui mesmo. O livro é tão bom que é como se já tivéssemos ouvido essa história antes, de alguma maneira, de algum ancestral, aqui detalhada com personagens, tipificações, detalhes, especificidades que qualificam a obra, ainda mais que contada com maestria, entre um certo neorrealismo e pitadas a capricho de fantástico, entre linguagens náuticas, conhecimento de rios e portos, remos e rumos, corações e sentenças.
Um desdobramento de cenas fílmicas, de linguagens regionais, de lugares, dizeres; entre as contações com as caras da caboclada com sua orquestra de tons, citações, palavras e entendimentos de Deus, do mundo e do outro mundo. Política maquiavélica, folclore na medida, meditações sobre o pântano da condição humana. Uma procissão de lazarentos, mais a desejada lei da nova terra fundada na não-violência (Gandhi) que mesmo assim acaba ocorrendo por motivos torpes (posses, domínio, usurpações, injustiças sociais, vinganças), até numa citação do Evangelho de amar ao próximo, tudo feita sob medida dentro das proporções do historial, como assim, mal comparando, uma ideia de um socialismo-moreno tropical de resultados, como pregava o maior patriota do Brasil, Leonel Brizola.
Histórias orais revisitadas, o sentimento do mundo. O leitor sentindo na carne (conhecendo na carne) um outro Brasil; um Brasil rural com suas contundências, desde o pano de fundo da Cabanagem (Revolução Cabana, 1835/1841), também aqui e ali o vislumbre da paleta de uma prosa poética bem colocada nas narrativas. Um livro que daria uma bela mini-série. Contundente e perfeitamente escrito, "A Invenção de Onira" é um documento literário de um Brasil que já vai longe com seus contrastes socais, lucros injustos, propriedades-roubos, e as chamadas riquezas impunes como pregou São Lucas. Tudo continua como antes, agora nas urbanidades; tantas são as ruas de amarguras dos excluídos sociais.
Sem ser panfletário, mas literalmente colocando o dedo nas feridas, o autor parte de um núcleo narrativo para outro, com outro novo enfoque concorrente, outra janela de contar, de um personagem a outro, levando a história bem estruturada para deleite do leitor. Juan José Sar dizia "Cada romance tem de ser um objeto único. O enredo ordena a sua forma. A estrutura do relato segue a intensidade da narração." Sant’Ana escreveu uma obra brilhante nesse sentido, um clássico, por assim dizer.
O autor Sant’Ana Pereira, neto de índia colombiana, nasceu em Santarém do Pará, é radicado em Belém, já tendo publicados quatro outros livros, sendo que o próprio "Invenção de Onira" saiu numa outra primeira edição em 1988 (Ed. Cejup, Belém, PA), e, passando-se vinte anos, a obra ainda continua contagiante e atual, perfeitamente condizente com as vicissitudes das questões agrárias e de latifúndios improdutivos desses tantos brasis de uma historicidade inumana para a grande maioria da população, principalmente os bóias-frias, favelados, negros, índios, pobres, mamelucos, mestiços, os moradores de rua, porque ainda lhes restam a rua. O mundo real, o mundo do sonho. A dura realidade e as sequelas da colonização européia (invasão do Brasil, não descobrimento), passando por certos enfoques dos ameríndios que se misturam aos afrobrasilis, tudo perfeitamente enquadrado naquilo que Caetano Veloso bem chamou (in Sampa), de uma “sulamérica de áfricas utópicas”, no livro ainda migrações, embustes, traições, o próprio uso do povo como bucha de canhão. Não foi por acaso que Carlos Drummond de Andrade sabiamente escreveu que toda história é remorso.
Conflitos e exasperações de conflitos, quando o homem agente alterador da natureza (na maioria das vezes para pior), humanizando o território, além de demarcando-o culturalmente, também enfrentando interesses escusos de terceiros, poderosos, feito algumas veredas dos grandes sertões e seus cafundós que remontam a Guerra dos Canudos com seus farrapos.
Gente, humana gente correndo atrás de utopias para dar uma chama à vida pobre, rotina amarga, sem perspectiva para o futuro, terminantemente triste. A história do Brasil com seus tantos heróis anônimos, captados pela ótica criativa do autor. Raimundo Faoro dizia: “Acho que a história do Brasil é um romance sem heróis”.
Na verdade, sendo o escritor “antena de sua época” (Rimbaud), devendo dar testemunho de seu tempo, Sant’Ana Pereira recuperou heróis anônimos; retratou Onira feito um achado sócio-cultural, um paraíso-lugar que se fixa na mente do leitor, como a própria “Via de Meditação” que dá ao romance um significado cheio de iluminura, de esperança, muito além da perversidade dos poderosos insensíveis para com os excluídos sociais.
O gran finale do livro é de uma boniteza triste. Mas que mantém a chama acesa de um mundo melhor, em algum lugar do futuro, talvez, um Brasil melhor, mais justo, com inclusão social, e democracia social de paz para os sem-terra de boa vontade que almejam uma "Onira" como pagamento de uma dívida social histórica, muito além do campo do sonho, muito além da dura realidade dos descamisados todos, de todas as épocas, com seus tantos grilhões e amarguras.


*Silas Correa Leite é escritor, professor e jornalista.
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas,htm
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BOX:

Livro: Invenção de Onira, Romance
Autor Sant’Ana Pereira
Editora Letra Selvagem
www.letraselvagen.com.br
E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br

Saturday, May 23, 2009

Se Eu Morrer Antes de Você - Para Rosangela Silva Correa Leite



Rosangela Silva Quando Ainda Muito Menininha


Se Eu Morrer Antes de Você

Para Rosangela Solla Silva Correa Leite

-Se eu morrer antes de você, não se preocupe
Chore apenas o necessário como uma valsa de adeus
Eu estarei bem, pode ter certeza
Pois você me fez perder o medo da morte, o medo de viver
Acreditando no melhor ser humano que conheci:
Você, Rosangela.
-Se eu morrer, antes de você, não se desespere
Continue seguindo nossos planos e tecendo rumos
Olhe minha face dentro do caixão
Eu finalmente estarei tranqüilo e guardarei um sorriso
O pássaro descansou finalmente pois amou ter
Você, Rosangela.
-Se eu morrer antes de você, pode ficar tranqüila
No céu há lugar para quem brilhou na terra como você
Você deu sentido à minha vida toda
Eu conheci o amor quando conheci você que me realizou
Serei uma asa de luz sobre a sua saudade pois amei
Você, Rosangela.

Silas Correa Leite
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Itararé Musical, Chão de Estrelas, Silas Correa Leite



Foto Antiga de Silas Correa Leite no Auge da Juventude

Poemínimo

Chão de Estrelas (Itararé Musical)

Itararé de tantos poetas, músicos, luares e corais
E ainda trovadores urbanos e boêmios magistrais
Em suas ruas de paralelepípedos como cacau quebrado
E ainda bandas, cantores e tantos outros artistas seus.

Itararé é tão musical como se um reino encantado
Que nas suas ruas até os carros cantam os pneus.
-0-

Silas Correa Leite
De Itararé-SP, Cidade Poema
www.itarare.com.br
(Poema da Série “Eram Os Deuses Corinthianos”)

Flash Autobiográfico de Silas Correa Leite




FLASH AUTOBIOGRÁFICO DE SILAS CORREA LEITE

55 Anos, 55 Perguntas e Respostas de Bate Pronto, Vapt-Vupt

01)-Nome: Silas Corrêa Leite, duas notas musicais
02)-Origem da alma: Estância Boêmia de Itararé, São Paulo
03)-Cor Predileta: Amarelo
04)-Time: Corinthians da Nação Fiel
05)-Fruta: Abacaxi
06)-Frase Predileta: Meu Reino Não é Desse Mundo
07)-Elogio que mais recebeu, muitas vezes: Silas, Você não existe!
08)-Adora: Ler, sempre
09)-Não gosta De levantar cedo
10)-É contra: Lucros impunes, riquezas injustas, propriedades-roubos
11)-Oração: Pai-Nosso
12)-Cada vez admira mais: Rosangela Silva, a Musa-Vítima
13)-Poeta Brasileiro: Jorge de Lima
14)-Poeta Português: Fernando Pessoa
15)-Romancista Brasileiro: Machado de Assis
16)-Romancista Português: José Saramago
17)-Melhor Romance Que Leu: Cem Anos de Solidão
18)-Cronista Brasileiro: Aldir Blanc
19)-Pintor Brasileiro: Jorge Chuéri
20)-Compositor/Cantor: Caetano Veloso
21)-Comida Preferida: Churrasco
22)-Religião: Humanismo de Resultados (Fé na fé!)
23)-Hobby: Escrever
24)-Medo: De não sobreviver
25)-Bebida predileta: Cerveja
26)-Espaço que adora: Praia
27)-Detesta: Mentira
28)-Como gostaria de morrer: Em vôo de avião (mais perto do céu?)
29)-Anjo-da-Guarda: Mãe Eugênia de Oliveira Corrêa Leite
30)-Lugar Que Gostaria de Conhecer: Israel
31)-Dez ídolos: O Pai, Maestro Antenor Corrêa Leite, Shakespeere, Gandhi, Betinho, Martim Luther King, Rivelino, Charles Chaplin, Marlom Brando, Jorge Luis Borges, Elis Regina
32)-Músico: Tom Zé
33)-Melhor Poeta Mulher: Hilda Hist
34)-Melhor Ficcionista mulher: Clarice Lispector
35)-Santo Predileto: Jesus Cristo (e não existem outros)
36)-Filosofia: A melhor vingança é ser feliz
37)-Lembrança da infância: A família reunida, ninguém estava morto
38)-Sonho de consumo: Uma casa no Campo em Itararé
39)-Pior tristeza: A existência da morte (se foi pra destruir, por que é que fez?)
40)-Única Fobia: Medo de água (Os peixes fazem sexo na água – só gosta de água com malte, lúpulo, levedo e cevada...e espuma no colarinho)
41)-Futuro: Ao FMI pertence
42)-Melhor Livro que leu: A Bíblia
43)-Melhor ficcionista contemporâneo: Nelson Oliveira
44)-Melhor poeta contemporâneo: Erorci Santana
45)-Injustiça: Contra os índios, contra os negros, contra os imigrantes, contra os migrantes, contra os poetas neomalditos
46)-Pior erro histórico: o neoliberalismo
47)-Vergonha social: A terceirização que refunda o neoescravismo
48)-Melhor curso entre tantos que fez: Direitos Humanos e Democracia na USP
49)-Próximo sonho: Novela ou Mini-série na Globo
50)-Melhor posse: O amor dos que me amam
51)-Melhor piada: Colabore com as autoridades/Cometa um crime perfeito
52)-Filosofia que gosta: O existencialismo
53)-Como gostaria de se chamar: Silas de Tarso Ely Corrêa Leite
54)-Melhor ídolo de minha terra-mãe: Jorge Chuéri, meu pai-patrono das artes, meu referencial)
55)-Frase para pensar na hora da morte: Pelo menos meu epitáfio já está pronto a partir do nome que vira verbo: Silascô ...

Tuesday, February 03, 2009

Kit Básico de Primeiros Socorros Para Seres Sensíveis





Kit Básico de Primeiros Socorros Para os Seres Sensíveis

(Use em situações existenciais de emergência)

1* Poesia: Para tornar mais doce o sonho enfavado de maravilhosas buscas, tornar mais esperançosa a caminhada e mais suave a respiração da alma;
2* Música: Para lembrar que tudo é música, como o equilíbrio entre a natureza e os frutos dela que são os seres humanos, na a sinfonia existencial de primeira grandeza;
3* Filme: Para nos ajudar a permanecer antenados com cabeças e corações, almas perfumadas, já que a arte é uma libertação, e uma asa só se completa em outra e então permite na união e soma a técnica de vôo;
4* Livro: Para registrar que vida é assento de nós mesmos, raízes e estrelas, origens e ninhais; palco iluminado em páginas abertas de viver e vencer;
5* Campo: Para depositar nossa alma na tez chã de tantas andanças, pois o cordão umbilical pode retesar mas nunca se romperá do nosso ponto de partida, e há uma estrela e um arado a compor a nossa caminhadura evolutiva, cósmica:
6* Praia: Para nos tocarmos que não importa o que aconteça a vida continua em marés altas e baixas, sal e ilhas, experimentações e viagens, portos e linhas do horizonte muito além do azul do céu que se permeia em tantas vertentes;
7* Viagem: Porque temos que chegar e partir, há tempo de semear e tempo de visitar o trigal amarelo, há barcos e adeuses, somos peregrinos pela própria natureza, nunca termina o nosso caminhar, existir é uma viagem como se nós mesmos fôssemos os ourives de nossa evolutiva seqüência aditivada numa futural empreita de luz;
8* Carinho: Que é o que pode curar e até mesmo manter abertas portas e janelas, pois a chave é a nossa mão erguendo o muro ou o castelo, já que o livre arbítrio é que dá a comanda de nosso sucesso no verbo viver;
9*Chuvas: Devemos nos salvar com as lágrimas, até com as chuvas nos sonhos, toda água é energia e Deus respira em cada átomo da água que veio de antes para o eterno, e precisamos como partes do Planeta Água, com a nossa massa corporal sendo água, amar a água como se a nós mesmos.
10*Amor: Porque amor é tudo o que move, somos feitos e a partir dele mandamos mensagens de amor para o futuro, e o melhor gesto de amor é a mão estendida, o abraço demorado, o ombro amigo, luz em conexão com a luz.

Poeta Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br