Pousada 14: Glauber Rocha Ainda Vive! – (Bijuterias de Restropicálias 25 Anos)
“Solto os meus demônios
interiores para o mundo.
Não quero que eles habi-
tem em mim...”
(Glauber Rocha)
-Fragmento de um jogo de cena em polaroid: Glauber ainda vive? – Ainda vive nos estilhaços quizilentos da democracia pós-Lula, montado nos bastidores sórdidos por um vingativo e quizilento Alckimin Picolé de Chuchu em preto e pranto e um decadente e boçal Zé Serra metido a bom-bril vampirizando o PT Light. Na tomada-improviso meio top em que Gil-Berto-Gil desce do palanque pop-oficial e dança seu maracatu atônito, frente a tantas áfricas utópicas desse brasilis-bahia em transe made in PCC, questiono feito um pedregulho de pensagem: A arte só existe quando há revolução?
Glauber Rocha ainda vive: a cara e a coragem do Brasil está no Hip Hop rueiro, no rock fundo de quintal, nas garagens virtuais da literatura da marginália (e periferia s/a), nas parabólicas de violência impune – eleito o psdb, quem finge que governa é o pfl e a estrutura é do crime organizado - nas federais acontecências que tiram o burro amarrado das sombras palaciais e botam pra quebrar em paraísos fiscais de agiotas. Saravá, Carlinhos Brow!
Glauber Rocha ainda vive na estética pilar de Gisele Butchen que desfila cores de alpercatas de plástico, na Rede Globo que resgata culturas marginais sem medo de ser pop, nos feudos de reality show que soam pipocas ultranadas, ou na própria decadência do futebol prosopoéia-garrincha para uma caixa de água futebolística que provoca sonos - onde zero a zero é goleada. O preto e branco da mesmice? As uvas verdes de Parreira.
Glauber Rocha do nascimento-moradia num 14 de Março em Conquista-Tiroteio, depois reviçado aleluia outro-ele na chamada Pousada 14 em Salvador, Bahia, passando pela ótica de uma tomada-plug que o revitalizou made in Bahia para agradar a gregos e bahianos, até o que morreu revirão meio Carlito Chaplin a la Di Cavalcanti, com todos os seus deuses e diabos numa fauna cultural tropicália e seu desbunde Cinema Novo, olho do furacão nas terras áridas das imaginações regradas pra redutos bisotês de mediocridades. O sapo chulé entre gárgulas godês e seu jogralesco datado. Fragmentos estéticos na arte pura, e circo...
Glauber Rocha ainda vive porque ainda vive esse Brasil meio Índia, meio cubanizado, meio pan-plural entre neomalditos e modismos de mesmices com chantilly pra disfarçar o óbvio ululante. Que falta fazem Henfil e Nara Leão.
Glauber Rocha ainda vive sim, meio cara pálida, meio cara e coragem, meio anti-radar tantã de tanto guetos rebocados para ONGs que ganham e não arregaçam as mangas. Por trás de toda idéia há uma orquestração bocó? E toma professor ganhando salário de mendigo.
Glauber Rocha cheira a tez chão que transmuta em telas ácidas e filmes puros. Revolucionário no kit básico, olho no alho, decompõe o imagético pela câmera revelando seu olho cítrico de seu ser peregrino-cigano tropical. A arte-coragem. O grito artístico para as cabeças cortadas das faunas consumistas; quando ele às vezes até foi boi de piranha, mas deu seu couro no curtume além das hortênsias sensíveis.
Glauber Rocha da arte como invenção, tomando pelo plug de seu inconsciente, o sonho enloucurando formas novas, para uns, reacionário, para outros, estrelário, tudo isso e muito pelo contrario. Meio Pessoano, meio Godard, sudário, tudo a ser. Glauber-tabuleiro-mosaico.
Glauber cheira a sovaco do homem-terra. Filmes de combate para revelar o cacto no espelho de sua raiz pragmática. O entusiasmo dos descaminhos. As brigas para decompor-se do inteiriço para a realidade barrabrava. Ele mesmo o santo guerreiro?...
Glauber Rocha prolixo no palavrear, sintético no dirigir, ferino no pensar arte-política. Sua arte é seu calcanhar de Aquiles? Era o cineasta querendo ser poeta, em terra de lucradores com medo do novo que cheirava a talco como bumbum de bebê. Cadê o Arnaldo Jaburu Jabor, ele mesmo pornopolítico no Bordel Global das páginas da vida?.
Glauber Rocha era o entusiasmo bruto. Querendo ouvir a voz do homem, traduzi-la em imagens, e dizer seu berro ao sabor da teatralização anti-formal. Ele mesmo atacando. E com um enorme acervo de patrimônio cultural.
Sim, companheiros, Glauber Rocha ainda vive, no dragão da maldade Zé-Bobo Serra quando atiça ilicitudes que rendem o neoescravismo, nos choques de exclusões de um banana Alckmin querendo ser o que não é, nas paródias de tevê ora imbecilizada pra consumo, ora comprometida pra globalização-nojo, ora a bairrista imprensa desleal atrelada ao neo-escravismo da terceirização neoliberal, ora o povo sem pão e sem água, ora um qüiproquó geral no fragmento de um carnaval nu e cru para despistar o logro final: perdas e drenos.
Glauber Rocha ainda vive. Quando a piada é velha e a cara nova. Quando a máfia é nova e o marketing usado, quando tudo se copia do nada, quando o novo é velho e ele está ali, preto e pranto, no moleque de rua sobrevivendo avião passador de fumo falso, no índio queimado por filhinhos de papais doutores hipócritas, no rouba-mas-faz de um turco impune por relação promíscua com desembargadores sem quarentenas éticas, entre gregos e bahianos revelando sua ária fagulha de visionário, todos os brasis num mesmo barco: encalhado na estagnação cultural pós FHC et caterva, de sanguessugas a mensaleiros. Coiotes e chacais.
Esse Glauber amado e odiado, esse Glauber satanizado e divinizado, ainda respira o reboco do neo-rural, ao barroco da politicagem coivara, tudo a ver entre insanidades e infâmias. Relembrando Glauber, vemos o velho Brasil de novo, e o novo Brazyl com coiós urrando feito arautos do arbítrio, entre tucanos rastaquaras e arapongas do retrocesso. Viva Zapata, ou a poesia e a política eram demais mesmo, para só uma cabeça pulsando idéias a mil?
Glauber Rocha ainda vive. O homem-caos. O paradoxal Glauber zen-pulsante. Sim, ele ainda está ali na poesia-rock de Arnaldo Antunes, no Provocações do Abujamra, no Circo de Pulgas do Corinthians levado a reboco por implicações hermanas, do Lula Light adquirindo saquinhos de chá embaixo dos olhos cansados de remar a seco contra a maré de ególatras da oposição putrefetada, da tevê inventando o antigo com nódoas capitais, de Caetano Veloso cantando bregas baladas circenses, da seleção brasileira tropeçando na bola quadrada entre craques redondos, dos programas ao vivo que mostram a morte da criação e do jazz improviso da reação bundalelê. Benza-Deus!
Sim, a arte só existe enquanto coragem. Passageiro da agonia de si mesmo, Glauber deu seu brado retumbante, no entanto, enorme e imenso tombou por causa de uma mísera bactéria, mas, quadro a quadro, Polaroid, lambe-lambe revelando-se a sua vida na crista da onda, vejo-no como um anjo demolidor de estéticas, arrotando creme rinse contra barbáries, tocando calendários de feridas, questionário de si mesmo e, claro, sempre antifraude. Ave Glauber! Os que estão a sobreviver são saúvas de searas vermelhas... Consulte sempre os enfeites colaterais.
Para mim Glauber Rocha foi o Elvis Aaron Presley do Cinema Novo, rebolando para os guetos, chutando barracas de mágicas montadas, de igual origem crente mas ainda assim indo buscar raízes entre as baianidades catolumbandas, até trazer-se inteiro e modificador...para agito geral e uma gandaia global.
Se eu fosse a santa mãe do Glauber Rocha – Deus deve amar as mães dos loucos (ai de ti Cazuza!) – como há a Assembléia de Deus de Elvis Presley em Memphis, criaria também a Assembléia de Deus do Glauber Rocha em Conquista, Bahia. Tudo a ver?. Aspas são vírgulas suspensas.
E não me venham as abóboras selvagens com falácias podres de pensamentos únicos rendidos a pccs de uma desvairada paulicéia.
-0-
Silas Corrêa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
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Livro ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
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Thursday, August 24, 2006
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2 comments:
Boa tarde, entre em contato comigo pelo email lunnaguedes@gmail.com para que participe do blog Livro Aberto como colunista. Temos um espaço disponível aos sabados.
Abraços.
OUTONAIS (Poemetos)
01
O feto, o que diria
Se pudesse falar?
(Prometo nunca mais Amar!)
02)
As etiquetas
Denunciam
O defeito de fabricação
É de quem veste a roupa
03)
Eu te escrevo, Vida
Como um louco escriba
Delata a própria sobrevivência
Em carne viva
04)
Itararé não existe
É a mais pura ilusão
Palco iluminado alegre & triste
Na cor púrpura do meu coração
05)
Era tão mal falada
Que só tinha uma saída
Ir morar lá na Índia
Para então ser sagrada
06)
Rio-me de mim
Quando me vi, verme
07)
As goteiras
São estrelas
Que, por sê-las
Esqueceram de usar rímel
08)
No dia que vim-me embora
Meu pai não cabia em si
E minha mãe chorava, chorava e chorava
Enxugando as lágrimas numa avental sujo
De pimenta cumari
POEMAS & POESIAS
Não discuto o sexo dos poemas
nem a vacância de mensagens
muito menos dicções ou mitologias
eles se bastam com arestas
multiplicando zeros e infinitos
não discuto a vertente das poesias
que de si mesmas são distintas
o ritual, a consciência, o melódico
tudo isso são cincerros e egos
questionários, renúncias, pertencimentos
não discuto o simbolismo dos poemas
que por si só podem ter ícones
não quero rótulos, escolas, sachês
e sim rupturas com a sintaxe
técnicas de aproximação, mixórdias
não discuto a lírica das poesias
nem códigos, modismos, planos
quero repertórios de niilismos
e o plano da existência táctil
como réptil com asas, mimetismo
não discuto a lógica dos poemas
quero pluralidades de pedras
o neobarroco, os vetores chaves
são enguias sistêmicas e fazem
do poeta um cacto de bruxo
não quero a vanguarda das poesias
mas elas em si mesmas cibalenas
núcleos, encantários e enzimas
safra de paradoxos críticos
técnica de vernizes diversos
não discuto a poesia no poema
sou um clandestino com lúpus
a lepra de ser-me - sentença
angústia-vívere; roca & singer
baladas de incêndios, odes instintais.
TODA MÚSICA É MARIA BETHÂNIA
Toda balada na Voz de Maria Bethânia vira cântico
Porque ela heletroniza na aura os céus da composição
E a sua alma – pela sua personificação – relê sânscrito
Tocando a melodia nesse ritualizar tanta inteiração
Toda Música na Voz de Maria Bethânia vira cântico
Que ela resignifica qual flor-fêmea uma asa menininha
E nessa cena-self o alumbrar-se forma elo & acalanto
Quer Tom Jobim, Gil, Caetano, ou Vinicius, o Poetinha
Toda canção na Voz de Maria Bethânia vira cântico
Que bem nutre de si no altar de magnífica harmonia
Ela mesma toda estúdio com flauta do sol que, quântico
Dá-se no incorporar o totem espiritual que se irradia
Porque Maria Bethânia é a exata música em pessoa
O que ela interpreta contém chips sacros em revelação
Porque ela mesma é A VOZ – que por si própria entoa
Um hino à essência natural decodificada em canção
Maria Bethânia é aura e halo no entorno do que faz
E assim imprime a composição no soar que reproduz
Dá seu corpo todo à música e nesse encantário traz
Uma verdadeira reza que seu íntimo ninhal traduz
...........................................................................................
Maria Bethânia é musa mística em cantoria plena
No palco de seu cênico dial, é lírica e corpórea arrebatação
Ela é a perene tradução da mais completa música em cena
Compositora, instrumento, ressonância, voz - jazz e oração
-0-
Poeta, Silas Corrêa Leite – Da Estância Boêmia de Itararé-SP
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site pessoal:
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E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
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